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Resgate do meu cabelo natural

Olá pessoal! Estou super feliz por compartilhar minha história capilar com vocês, primeiro porque sei que tem muitas pessoas vivendo a mesma história, segundo porque adoro escrever, então foi uma união de coisas boas. Nesse primeiro post vou contar um pouquinho da minha trajetória capilar até chegar no ponto em que estou hoje: pedaço natural, crespíssima, volumíssima, e grande pedaço alisado, sem forma e volume. Mas chega de papo furado né, vamos lá?!

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Essa sou eu em 2002 (ignorem a make iluminada! kkk), já usava química de relaxamento há muito tempo (para reduzir volume, “dar forma”, etc.) não alisava, mas também não vivia sem fazer o relaxamento e meu cabelo estava sempre com o mesmo tamanho.

Em 2008, no último ano da facul, comecei a fazer escova direto nos cabelos sem fazer chapinha. Até que fiz minha primeira progressiva nos dias próximos da formatura, no fim do ano. E me formei lisinha. Minhas fotos de formanda saíram todas lisas e eu “me achando” naquela nova fase (não tenho fotos porque meu computador queimou, e com ele parte da minha vida! Oh God!).

Continuei fazendo a progressiva, era necessário relaxar o cabelo, com um produto à base de guanidina, e depois aplicar a progressiva, ou seja, duas químicas agressivas ao mesmo tempo, o cabelo sempre quebrava e era necessário recuperar, fiz cortes e franjas forçadas e mesmo assim gostava do resultado:

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Ficava sempre feliz da vida, e cuidava dos cabelos em casa com diversos produtos. O problema é que por mais que cuidasse e comparecesse ao salão, mais cedo ou mais tarde o cabelo não resistia e acabava quebrando. Então, com a ajuda da minha cabeleireira (que me acompanhava desde o início e me avisou que se começássemos os alisamentos só poderíamos voltar atrás cortando), decidi mudar o produto e começar a fazer a definitiva que era um único produto agora à base de tioglicolato de amônia. Esperamos a raíz crescer e tive sorte de não sofrer um corte químico.

Em 2014, conseguimos estabilizar e finalmente meu cabelo começou a crescer (faz a conta menina, 5 anos de luta!!!):

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No final deste mesmo ano mudei do RS para SP e não encontrava salões que cuidassem do meu “tipo” de cabelo (foi o que ouvi ao passar de salão em salão no meu bairro). Mas, depois de alguns meses, encontrei um cabelereiro que faria a minha definitiva desde que eu  levasse o produto que eu usava. Nesse ponto meu cabelo já estava sem cuidados e eu chateada com a situação. Mesmo assim fiz a progressiva, e meu cabelo debilitado começou a quebrar muito. Esses fatos somados a algumas situações de racismo que sofri na época, me levaram a repensar a situação do meu cabelo e que eu não precisava ficar presa aos alisamentos. Eu acabei vendo que o meu cabelo era sim um instrumento de enfrentamento ao racismo velado presente na nossa sociedade, que o fato de eu alisar, de certa forma reforçava os preconceitos de algumas pessoas. Resolvi então voltar ao meu crespo natural e cuidar dos meus cabelos em casa.

Em maio fiz a última chapinha e em 07 de junho de 2015 comecei a transição capilar, fazendo a primeira texturização, registrei o tamanho do meu cabelo em fotos:

Primeiro dia de transição capilarimage

Lembro que catei os grampos que tinha em casa, tinha menos de 10, mas no dia seguinte, quando desmanchei, achei que tinha dado certo:

Primeira texturizaçãoimage

(Sim eu gosto de azul!!!!!)

A sensação que tive foi indescritível, foi de liberdade, de reconhecimento e resgate da minha identidade, aí comecei a me dedicar, conheci novas marcas de cremes, comprei turbantes e busquei tudo mais que pudesse me dar suporte durante a transição capilar.

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Imediatamente senti a necessidade de compartilhar o que estava pesquisando e aprendendo com quem estava passando pelo mesmo que eu, por isso comecei a publicar no Instagram e agora faço este Blog e o YouTube aos poucos.

Não vejo a hora de ter meu cabelo crespo tipo 4 todinho natural, não vejo a hora de poder fazer o big chop e ficar crespíssima como sempre fui.

Espero ajudar meninas e meninos que, como eu, não problematizavam o impacto que assumir o cabelo crespo pode causar em nossa vida e na sociedade. É um ato de amor, de pertencimento e valorização da nossa gente negra.

Obrigada à todas e todos que dedicaram um tempinho para essa leitura. Espero vocês no próximo post!

Bjs da Mi.

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4 thoughts on “Resgate do meu cabelo natural”

  1. Moor sem comentários!!! Parabéns pela coragem de compartilhar sua história motivadora com todos.
    Vi que entrou de cabeça na procura da sua identidade e de suas origens. Como tudo que você faz é com muito amor, cuidado e qualidade, e tudo que é feito com muito amor sempre dá certo, então só desejo te continuação de uma boa transição.

    Beijos

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  2. Parabéns pela iniciativa Michele!! 😀 Espero que o blog e os vídeos contribuam com as pessoas que pensam na mesma perspectiva. Abração e sucesso!!! Jorginho

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